sábado, 25 de abril de 2009

sede
o grito
o anu
cego / já pode
cantar

água
dessossego
o choro
o bebê

grávida / já pode
dizer
mãe.
o céu violáceo
os morcegos
não param

a origem:

as redes
esticadas
no quintal

os mamões
estão
maduros...

apenas
de
criança.


borka / 2009
ToAlHaS sEcAs

o espelho no quarto / meio
um rosto imberbe
a agonia que se / aproxima
pêlos caídos no chão
a força messiânica
como conselheira

navalha cega,
encolhe a pele / retraí o tempo
sorvo em regressão d'alma
para onde ir?
fluo em direção
do ventre

os olhos vesgos em lágrimas
enxugo-as em / toalhas secas

dissecando, um corpo / blasfemo

o vácuo
suga
o
vazio...

BORKA / 2005